Atualizado em 31/10/2026: corrigimos os nomes dos arquivos de persistência, o formato da chave maliciosa e incluímos comandos prontos de verificação e os scripts oficiais de remediação.
O recente incidente envolvendo a extensão Claude Code no marketplace Cursor para VS Code traz um alerta importante para toda a comunidade de desenvolvedores que utiliza editores com recursos de IA. Mais do que um problema pontual, o caso reforça a necessidade de incorporar práticas de segurança ao fluxo de trabalho, independentemente do nível de experiência. Neste guia, a Hcode explica de forma clara o que aconteceu, como identificar se seu ambiente foi afetado e quais medidas práticas devem ser tomadas para remediar e fortalecer a segurança.
O Incidente Claude Code: O que ocorreu?
No dia 29 de outubro de 2026, entre 2h27 e 13h35 no horário do Pacífico (aproximadamente 6h27 às 17h35 no horário de Brasília), duas versões maliciosas da extensão Claude Code (2.1.312 e 2.1.313, para Windows e macOS) foram disponibilizadas no marketplace de extensões do Cursor. Essas versões não foram desenvolvidas pela desenvolvedora original da extensão: trata-se de uma adulteração no canal de distribuição. A seguir, dividimos os principais pontos do incidente para facilitar a compreensão e a análise por quem desenvolve:
Como a extensão foi comprometida?
- O código malicioso foi injetado no arquivo principal da extensão (
extension.js) e distribuído como se fosse uma atualização legítima. Ele rodava assim que o editor carregava a extensão, sem nenhuma interação do usuário. - Houve relatos iniciais envolvendo o Open VSX, mas as análises posteriores apontam que a distribuição maliciosa ocorreu pelo marketplace do Cursor. Não há indícios de que tenha chegado ao marketplace oficial do VS Code.
O que o código malicioso fazia?
- Coletava e enviava ao atacante informações da máquina: hostname, usuário, sistema operacional, arquitetura, pasta home, diretórios de trabalho, nomes de variáveis de ambiente (sem os valores), e-mail configurado no Git e IP público.
- Adicionava uma chave SSH controlada pelo atacante, identificada como svc-telemetry, ao arquivo authorized_keys do usuário.
- Tentava ativar o serviço SSH local e abrir um túnel SSH reverso para o servidor do atacante (
134.209.82.225). - Instalava persistência para manter o túnel ativo, com novas tentativas a cada 60 segundos: um LaunchAgent disfarçado de serviço do sistema (
com.apple.sysmond) no macOS e uma tarefa agendada chamadaSysMon, com um script de inicialização como alternativa, no Windows.
Impacto e resposta
- Ativar o serviço SSH exige privilégios de administrador, que a extensão normalmente não tinha. Por isso, na maioria das máquinas o atacante não conseguiu acessar o computador pelo túnel.
- Mesmo assim, a chave SSH foi adicionada, a persistência foi instalada e os dados da máquina foram enviados. A limpeza é necessária em qualquer máquina afetada.
- O servidor do atacante já foi derrubado, o que torna o túnel e o envio de dados inoperantes.
- A versão maliciosa foi removida e substituída pela 2.1.314. Segundo a Help Net Security, até cerca de 5.000 usuários podem ter recebido a versão adulterada.
Para a Hcode, o incidente ilustra como ataques à cadeia de suprimentos podem comprometer até mesmo ferramentas populares e reforça o valor da vigilância contínua sobre extensões e dependências.
Como saber se você foi afetado?
Verifique sua máquina se você usa Cursor, VS Code, Windsurf, VSCodium ou outro editor com a extensão Claude Code instalada ou atualizada em 29/10. O principal indício é a presença da chave SSH svc-telemetry no arquivo authorized_keys, mas a análise não deve parar aí: os arquivos de persistência continuam ativos mesmo após a remoção da extensão.
Passo a passo para identificar sinais de comprometimento
Os comandos abaixo levam cerca de 2 minutos. Cole um por vez.
Windows (PowerShell)
1. Procurar a chave maliciosa:
$f = "$HOME\.ssh\authorized_keys","C:\ProgramData\ssh\administrators_authorized_keys" | Where-Object { Test-Path $_ }; if ($f -and (Select-String svc-telemetry $f)) { "svc-telemetry key found" } else { "No key found; machine not impacted" }
2. Listar as versões da extensão em todos os editores (.vscode, .cursor, .windsurf etc.):
Get-ChildItem "$HOME\.*\extensions" -Directory -Force -Filter "anthropic.claude-code-*" -ErrorAction SilentlyContinue | Select-Object FullName
3. Procurar persistência:
Get-ScheduledTask -TaskName SysMon -ErrorAction SilentlyContinue; Test-Path "$HOME\.config\smt.cmd"
macOS (Terminal)
1. Procurar a chave maliciosa:
grep -qs svc-telemetry ~/.ssh/authorized_keys && echo "svc-telemetry key found" || echo "No key found; machine not impacted"
2. Listar as versões da extensão:
ls -d ~/.*/extensions/anthropic.claude-code-* 2>/dev/null
3. Procurar persistência:
ls ~/Library/LaunchAgents/com.apple.sysmond.plist ~/.config/.smt ~/.config/.smtk 2>/dev/null
Como interpretar
- Máquina limpa: o primeiro comando retorna "No key found", não aparece nenhuma pasta
2.1.312ou2.1.313e o terceiro passo não encontra nada (no Windows, aparece apenasFalse). Só confirme que a extensão está na versão 2.1.314 ou superior. - Máquina comprometida: apareceu a chave, ou uma pasta 2.1.312/2.1.313 (mesmo que você já tenha atualizado depois), ou a tarefa SysMon ou algum dos arquivos de persistência. Siga para a remediação.
Remediação: Como eliminar a Claude Code extensão maliciosa do seu ambiente
Remover apenas a extensão não resolve o problema, pois a chave SSH e os scripts de persistência continuam ativos. Siga o roteiro abaixo, nesta ordem:
1. Isole a máquina
- Desconecte o computador da rede (Wi-Fi ou cabo), mas não o desligue.
2. Preserve evidências
- Antes de remover qualquer coisa, faça um print dos resultados dos comandos de verificação e copie os logs relevantes. Em empresas, envie esse material para a equipe de segurança antes de seguir.
3. Execute os scripts de remediação oficiais
O Cursor publicou scripts que removem a extensão maliciosa, os mecanismos de persistência, os processos do túnel e a chave SSH do atacante. Baixe-os em outro computador, se possível, e leve-os para a máquina afetada.
- macOS: baixe o remediate-macos.sh e execute como o próprio usuário (não como root), na pasta onde salvou:
bash remediate-macos.sh - Windows: baixe o remediate-windows.ps1 e execute no PowerShell aberto como Administrador, na pasta onde salvou:
powershell -ExecutionPolicy Bypass -File .\remediate-windows.ps1
Os scripts terminam com erro se algum item continuar presente. Depois de rodá-los, repita os comandos de verificação para confirmar que tudo foi removido.
4. Confira os artefatos manualmente
Se preferir validar item por item, ou se o script indicar que algo ficou para trás, estes são os artefatos publicados pelo Cursor:
- Todos os sistemas: linha com
svc-telemetryno arquivoauthorized_keys. - macOS:
~/Library/LaunchAgents/com.apple.sysmond.plist,~/.config/.smt,~/.config/.smtke arquivos.stk_seguidos de 10 caracteres hexadecimais na pasta temporária ($TMPDIR). - Windows: tarefa agendada
SysMon,%USERPROFILE%\.config\smt.cmd,%USERPROFILE%\.config\smtk, arquivos.stk_em%TEMP%esysmon.cmdem%APPDATA%\Microsoft\Windows\Start Menu\Programs\Startup. - Linux: entrada
@rebootno crontab que executa~/.config/.smt, além de~/.config/.smtke arquivos/tmp/.stk_. - Processos:
sshouautosshrodando com-N -R '*:0:localhost:22'.
5. Verifique se houve acesso
- Procure nos logs de SSH logins vindos de
localhostque usaram a chave svc-telemetry. Se encontrar algum, trate o caso como comprometimento real e considere reinstalar o sistema.
6. Rotacione credenciais e sessões
- A partir de outra máquina limpa, troque tokens do GitHub e do npm, chaves SSH, chaves de cloud e de APIs (incluindo segredos em arquivos
.env) e revogue sessões abertas no navegador. A coleta de dados foi limitada, mas isso não descarta acesso posterior às credenciais pelo backdoor.
7. Atualize a extensão com segurança
- Só depois da limpeza, instale a versão 2.1.314 ou superior, disponível nos marketplaces oficiais.
Exemplos práticos: Como localizar e remover artefatos maliciosos
Comandos de apoio para investigar cada sistema operacional, além dos scripts oficiais:
macOS
- Verificar o LaunchAgent malicioso:
ls -la ~/Library/LaunchAgents/com.apple.sysmond.plist - Verificar processos do túnel:
ps aux | grep -E "autossh|ssh -N -R" | grep -v grep - Verificar conexões com o servidor do atacante:
lsof -nPi | grep 134.209.82.225
Windows
- Verificar a tarefa agendada:
Get-ScheduledTask -TaskName SysMon -ErrorAction SilentlyContinue - Verificar o script de inicialização:
Test-Path "$env:APPDATA\Microsoft\Windows\Start Menu\Programs\Startup\sysmon.cmd" - Verificar processos SSH:
Get-Process ssh -ErrorAction SilentlyContinue
Linux
- Listar o crontab:
crontab -l | grep .smt - Verificar conexões:
ss -tnp | grep 134.209.82.225 - Analisar logs:
grep svc-telemetry /var/log/auth.log
Verifique o arquivo authorized_keys
- Abra
~/.ssh/authorized_keys(ou%USERPROFILE%\.ssh\authorized_keysno Windows) e procure esta linha exata, que é a chave do atacante:
Aproveite para revisar se existe alguma outra chave que você não reconhece.ssh-ed25519 AAAAC3NzaC1lZDI1NTE5AAAAIDdvylCEJ/k2TpezcTfedrkHyFSK9IZ3vmP6vhY4Ss0P svc-telemetry
Se ainda houver dúvidas sobre a limpeza, a Hcode recomenda considerar reinstalar o sistema ou restaurar a partir de backups confiáveis, especialmente em ambientes críticos.
Erros comuns e como evitá-los
- Remover só a extensão: a chave SSH e os scripts de persistência permanecem ativos mesmo após a exclusão da extensão.
- Procurar pelo nome errado: a persistência usa nomes que imitam serviços legítimos (
com.apple.sysmondno macOS eSysMonno Windows). Procurar apenas por "telemetry" não encontra esses arquivos. - Não rotacionar credenciais: os dados coletados podem ser usados em ataques futuros. Troque senhas, chaves e tokens usados na máquina, mesmo sem evidência de uso malicioso.
- Limpar antes de preservar evidências: sem os registros, fica impossível saber se houve acesso de fato.
- Atualizar sem limpar artefatos: instalar a versão segura não elimina a chave nem os scripts já instalados.
- Baixar scripts de limpeza de fontes não oficiais: use apenas os scripts publicados pelo Cursor, linkados acima.
Para a Hcode, cada um desses descuidos pode comprometer o ambiente por mais tempo, dificultando a detecção e a resposta. Reforce a atenção em cada etapa do processo.
Perguntas frequentes
Quais versões da Claude Code extensão foram afetadas?
As versões 2.1.312 e 2.1.313 para Windows e macOS, distribuídas pelo marketplace do Cursor em 29/10/2026. A versão 2.1.314 e as superiores são seguras.
Remover a extensão do VS Code elimina o risco?
Não. A chave SSH e os scripts de persistência continuam ativos. É indispensável executar os scripts de remediação e confirmar a limpeza com os comandos de verificação.
Que informações podem ter sido coletadas do meu sistema?
Hostname, usuário, sistema operacional, arquitetura, pasta home, diretórios de trabalho, nomes de variáveis de ambiente (sem os valores), e-mail do Git e IP público.
O incidente afetou outros marketplaces ou extensões?
Segundo o Cursor, não há evidências de que outras versões da extensão, a distribuição oficial ou outras extensões tenham sido afetadas. Pesquisadores também não encontraram indícios de que a versão maliciosa tenha chegado ao marketplace oficial do VS Code.
Conclusão: Segurança é parte do desenvolvimento profissional
O caso da Claude Code extensão maliciosa deixa um recado claro: cuidar da segurança não se limita ao código-fonte, mas envolve monitorar extensões, revisar scripts de inicialização e manter a rotina de rotação de credenciais. A Hcode recomenda que, diante de qualquer suspeita, o desenvolvedor siga o roteiro de investigação e limpeza detalhado neste guia, preserve evidências e, se necessário, conte com especialistas da sua organização. Adotar essas práticas previne impactos maiores e fortalece a maturidade técnica do profissional. Para se aprofundar em segurança e desenvolvimento moderno, acesse a plataforma de cursos da Hcode.
Fontes
Security notice — malicious version of Anthropic.claude-code (2.1.312 and 2.1.313) identified in the Cursor VS Code Extension Marketplace, Cursor, 29 de outubro de 2026 (atualizado em 30 de outubro).
Claude Code extension poisoned with persistent SSH backdoor, Help Net Security, 30 de outubro de 2026.
Official Claude Code Extension on Cursor Marketplace Trojanized with Persistent SSH Backdoor, The Hacker News, 30 de outubro de 2026.